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livros Caio Valiengo | Edição 03 - Abril/Maio
Zás! Leu: Estação Luz

A HQ nacional Estação Luz começa com uma misteriosa bailarina dançando sob a cabeça de apressados paulistanos no ano de 1958. Apenas um garoto, que está andando com sua mãe, consegue enxergar a moça. Ao virar a página, nós conseguimos perceber que os tempos mudaram, e estamos em 2008. A legenda não é necessária, em poucos quadros, enxergamos cenas que se tornaram habituais em nosso cotidiano na cidade de São Paulo, como multidões, homens puxando carroças com material reciclável, e uma arquitetura tão típica de nossa capital.



Walter, a criança que em 58 viu a bailarina flutuando na estação Luz cresceu, e se tornou um professor universitário especialista em História da Arte, sem perspectivas e com pouco ânimo para viver. Tudo muda quando Walter tem um encontro inesperado com um morador de rua peculiar. O mendigo diz que a vida de Walter é uma mentira, mas o homem dá pouca importância ao fato. Porém, quando percebe que o estranho mendigo sabia seu nome, Walter decide procurá-lo.
O mendigo se mostra se muito mais do que aparenta, e Walter fica intrigado, e ao mesmo tempo desconfiado pelo homem que pode ser apenas mais um oportunista. Durante um jantar, o estranho homem diz que pode ajudar Walter a conseguir tudo o que ele quiser na vida, e o professor universitária o coloca sua alma nas mãos do mendigo. Após esse fato, a vida de Walter se resume a mulheres e festas. Mal sabe ele que esse pacto não sairia de graça.



A trama de Estação Luz, escrita por Guilherme Fonseca, foi inspirado na clássica obra alemã Fausto, do escritor Jonnan Wolfgang Von Goethe. A arte da HQ atinge o padrão internacional almejado por seus criadores, e mostra que o Brasil tem muito para contribuir para o mundo dos quadrinhos. O mais legal da HQ é quando nos identificamos com situações e locais que se passam no cotidiano de São Paulo, e de qualquer outra metrópole. Ver uma trama se desenvolver em um ambiente familiar dá um toque especial na leitura.



Só esperava um pouco mais do roteiro. Não que toda trama deveria ser explicada exaustivamente, mas o autor poderia ter aprofundado um pouco mais o passado do misterioso mendigo, e sua relação com a misteriosa bailarina. O fato é que a leitura se desenvolve com tanta naturalidade que gostaríamos de pelo menos mais umas 100 páginas em Estação Luz. Dá prazer em ver produções nacionais atingirem qualidade internacional, e Estação Luz é definitivamente o caso!




· Veja mais matérias na Edição 03 da Revista Zás!


 

Informações
(Estação Luz)

· Roteiro: Guilherme Fonseca  
· Arte: Guilherme Fonseca, Renoir Santos, Thainá Camilo, Sueli Mendes e Walmir Archanjo
· Editora: Devir Livraria
· Número de páginas: 78



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