"De onde vem a sua paixão por desaparecer?", pergunta alguém ao narrador de Doutor Pasavento logo na abertura do romance.
A atração pelo nada, por desaparecer, não é inédita na obra de Enrique Vila-Matas. É uma de suas obsessões, um dos temas centrais do escritor catalão, ao lado de seu gosto pelas narrativas híbridas (que mesclam ensaio, crítica, autobiografia, ficção) e da vontade de, através da literatura, viver outras vidas.
Nenhuma de suas obras, entretanto, explora tão a fundo o desejo de desaparecer quanto Doutor Pasavento, escrito em 2005. Na trama, encontramos Andrés Pasavento em um momento de instabilidade: abandonado pela esposa, perdeu a filha, morta após uma overdose de heroína, e os pais, que se suicidaram afogando-se no Rio Hudson, em Nova York. O personagem, um romancista medianamente conhecido, é convidado para um encontro literário em Sevilha, mas no meio do percurso decide sumir da vista dos conhecidos, tentando imitar os "onze dias em que Agatha Christie esteve misteriosamente desaparecida até ser localizada num balneário do norte da Grã-Bretanha".
Entre os inúmeros lugares pelos quais o protagonista passa - física ou mentalmente - estão Nápoles, a Patagônia e a célebre Rue Vaneau, em Paris, endereço onde viveram André Gide, Karl Marx e Emmanuel Bove.
(fonte: Editora Cia. das Letras)
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