A maioria de nós está acostumada a certo tipo de filme de ficção científica. Normalmente, ele se passa em uma sociedade avançada, distante de nossa realidade. Se o tema principal for extraterrestres, então já imaginamos uma invasão com planos de conquista, e as cidades invadidas provavelmente serão Nova Iorque, Washington, ou qualquer outra cidade dos EUA. Pensando assim, podemos dizer que Distrito 9 é um filme de ficção científica incomum.
Adotando um estilo que se alterna entre um falso documentário, e um filme convencional, Distrito 9 se passa em uma época não tão diferente da nossa, quando uma gigantesca nave alienígena quebra sobre a cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul. Os humanos esperam pelo pior, porém, a nave não se move, e não apresenta nenhum sinal de vida dos extraterrestres. Após 3 meses de espera, os seres humanos decidem invadir a nave, e ao fazê-lo, se deparam com milhões de aliens doentes e subnutridos.
Os seres humanos se vêem em um dilema: o que fazer com os extraterrestres? A solução encontrada é integrá-los a sociedade humano, o que não ocorrer de forma simples. Os aliens, chamados pejorativamente pelos humanos de “camarões”, passam a viver segregados em guetos e favelas. A escolha da cidade de Joanesburgo como palco para a trama não é por acaso: os negros sul-africanos passaram pelo mesmo tipo de discriminação por mais de 40 anos durante o regime do apartetheid. Quando vemos no filme placas escritas “Somente Humanos”, poderíamos ler o “Somente Brancos” que atormentou o país por décadas. Na verdade, a discriminação social e a segregação baseada na diferença tão explícita no filme podem ser aplicadas não somente a historia da África do Sul, mas em diferentes contextos que vivemos ainda hoje, com os povos deslocados de seus países, refugiados de guerra, ou mesmo aqueles que sofrem com a desigualdade social.
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