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Zás! viu: Paris

Filme dirigido por Cédric Klapisch (O Albergue Espanhol e As Bonecas Russas), Paris pode parecer ter como protagonista o personagem Pierre, dançarino profissional que descobre que sofre de uma doença no coração, que provavelmente o matará caso ele não faça um transplante. Sabendo de sua iminente morte, Pierre passa então a observar de sua sacada os moradores da cidade, e começa a ver o ordinário de forma bela e única. Mas na verdade, o personagem principal do filme é a própria cidade, com seus vícios e diferentes moradores. De Pierre, tomamos apenas o olhar, podemos dizer que ele é o ponto de referência do filme: olhamos para as diferentes vidas e histórias com um olhar de alguém que espera a morte, e como ele, sentimos que o simples fato de termos nossos pequenos problemas, constrangimentos e perspectivas, é uma sorte.

É com esta visão que conhecemos diferentes histórias, numa narrativa fragmentada, mas muita bem trabalhada pelo diretor. Entre as tramas que melhor se desenvolvem, estão a de Roland Verneuil, um professor de História que parece não suportar a felicidade alheia, principalmente a de seu irmão, e que acaba se apaixonando e tendo um caso com uma aluna sua, Laetitia. Ela por sua vez, representa a beleza e a independência da juventude, e mora em um apartamento em frente a de Pierre.

Elise, irmã de Pierre, tem três filhos e se muda para o apartamento do irmão para lhe fazer companhia. Marcada por desafetos amorosos, ela acredita que nunca mais se envolverá com ninguém.

É dessa forma que os diversos personagens nos são apresentados, a partir de sua rotina, de seus medos e imperfeições, de seus desejos e suas esperanças. Algumas histórias parecem se perder ao longo do filme, mas nos deparamos com um universo de pessoas que têm na cidade o palco de suas vidas: o feirante, o imigrante, o professor, a estudante, a modelo, o arquiteto, a dona de uma padaria, etc. E, é com a simplicidade de alguns fragmentos que podemos perceber a complexidade do viver de cada um deles.

Não espere por grandes desfechos, ou pela costumeira "amarração" que vemos em filmes que mostram histórias paralelas, que em certo ponto se encontram, dando sentido à trama no geral. Paris não propõe isso, e alguns personagens não têm ligação nenhuma com Pierre e sua doença terminal. O único ponto em comum que essas diferentes histórias de vida tem é o olhar que voce deposita em cada uma delas e, assim como Pierre, pensar: "Eles não sabem a sorte que têm".


· Veja o trailer de Paris

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