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cinema Caio Valiengo | sábado, 16 de janeiro de 2010
Zás! Viu: Onde Vivem Os Monstros

A família como problemática faz parte da nossa construção como seres humanos, e se apresenta como um dos grandes temas da história do cinema. A defesa ou a denúncia de valores familiares, as rivalidades e os afetos, as traições e as cumplicidades, todo desenrolar deste extenso e complicado assunto pode ser encontrados no filmes, a partir do melodrama e das complexidades do cinema alternativo, até as simples mensagens passadas por um desenho da Disney.

Spike Jonze encara a árdua tarefa de transformar um livro de pouco mais de 200 palavras em um filme de mais de uma hora e meia em Onde Vivem Os Monstros. A história de um garoto travesso que é colocado de castigo e foge para um mundo imaginário criado por ele mesmo pretende passar uma mensagem simples, a da importância da família. Porém, o diretor escolhe caminhos mais tortuosos para essa conclusão.


O filme conta a história de Max, um garoto que está passando por dificuldades. Depois de perder o pai, o garoto se sente solitário, uma vez que sua irmã o ignora, e sua mãe trabalha o dia inteiro. Certo dia, tentando chamar a atenção da mãe, Max coloca sua fantasia de lobo e começa a se comportar como um animal selvagem dentro de casa. Depois de morder sua mãe, a criança foge desesperado de casa. O que vemos em seguida é uma junção de realidade e fantasia: Max corre pelas ruas, e acaba entrando em uma floresta, onde encontra um lago com um barco. Depois de navegar por semanas, o garoto chega a uma ilha cheia de estranhos monstros. Para não ser devorado, o garoto diz que é um rei de terras distantes, e, assustados, os monstros o proclamam rei.


“Onde Vivem Os Monstros” apresenta diversos momentos tensos, com diálogos que parecem que culminarão na violência. Com um visual sombrio e monstros esquisitos, o filme mostra, em ultima instancia, pretende passar mensagens como autonomia, a importância dos pais, e como toda criança pode ter monstros dentro delas. Porém, as metáforas utilizadas por Spike Jonze não são simples de serem captadas, e os monstros não aparecem como contraposição a Max, mostrando o que é certo ou errado. Na verdade, os monstros também são crianças tristonhas, perigosas e carentes de atenção. O próprio diretor afirma que esta foi a intenção do filme, em não colocar as como inferiores, mas sim como seres respeitáveis.


Baseado na obra homônima do autor Maurice Sendak, “Onde Vivem Os Monstros” é daqueles filmes que geram controvérsias, mas que possuem uma peculiaridade e um charme próprio, se tornando atraentes e irresistíveis para amantes do cinema.


Veja mais sobre "Onde Vivem os Monstros" na Edição #02 da Revista Zás!










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