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especial cinema abril/maio de 2010

O olhar genial de Martin Scorsese

Natural de Nova York, Martin Scorsese passou toda a sua infância no bairro Little Italy. Como sofria com problemas de saúde, o menino trocava as brincadeiras de rua por sessões no cinema, onde via os filmes de Martin Powell. A devoção ao catolicismo fez com que o ele desejasse ser padre, mas, para a nossa sorte, o garoto largou o seminário da Paróquia St. Patrick para cursar cinema na Universidade de Nova York.

Foi ainda na faculdade que o descendente de italianos produziu os seus primeiros projetos. Entre eles: “What’s a Nice Girl Like You Doing in a Place Like These”, de 1963; “It’s Not Just You, Murray!”, de 1964; e “The Big Shave”, de 1967. Seu primeiro longa-metragem ficou pronto em 1969 e contou com a presença de Harvey Keitel, seu colega de faculdade.

No começo dos anos 70, Scorsese começa a lecionar. Entre os alunos, alguns nomes que viriam a se tornar referência na indústria cinematográfica: Oliver Stone, Spike Lee e Jonathan Kaplan estão entre os mais notórios. Foi nessa época que o diretor Brian de Palma apresentou Scorsese ao jovem Robert de Niro. Logo os dois se tornaram amigos e o ator passou a figurar as principais produções do cineasta (veja quadro). Foi com “Caminhos Perigosos (Mean Streets)” que a dupla conquistou notabilidade, pouco depois de Niro participou de “O Poderoso Chefão II (The Gosfather: Part II)”, de Francis For Coppola.

Seu próximo projeto tentou mostrar o mundo através do olhar feminino. “Alice Não Mora Mais Aqui “(Alice Doesn’t Live Here Anymore)” foi idealizado pela atriz Ellen Bustyn, que ganhou o Oscar pelo papel que desempenhou no filme.
Foi em 1975 que a parceria Scorsese/de Niro ganhou força. O diretor partiu do roteiro de Paul Schrader para filmar “Taxi Driver”. Na trama, acompanhamos o taxista Travis Bickle, um veterano da Guerra do Vietnã que fica obcecado pela prostituta Iris (Jodie Foster). O filme é considerado um dos relatos mais violentos da cidade de Nova York. Em 1981, o então presidente Ronald Reagan quase foi assassinado pelo psicopata John Hinckley. O jovem alegou ter sofrido influencia do filme de Scorsese.

O diretor fez o musical “New York, New York”, em 1977, na tentativa de homenagear a sua cidade natal. Nem a presença de Robert de Niro salvou a produção do fracasso de crítica e bilheteria. Depois disso, o diretor enfrentou uma grave depressão, mesmo assim se ocupou com projetos menores como o documentário “O Último Concerto de Rock (The Last Waltz)”.

A redenção veio nos anos 80, quando dirigiu novamente o amigo de Niro, dessa vez no papel do pugilista Jake LaMotta. O ator ganhou vários quilos para representar o lutador na adaptação de sua autobiografia. O filme recebeu o Oscar de Melhor Ator e de Melhor Montagem, além de várias indicações, entre elas a de Melhor Diretor e Melhor Filme. Scorsese não levou a estatueta, mas conquistou o respeito das produtoras que injetaram dinheiro no seu projeto mais controverso e ousado: “A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ)”.

No filme, o ator Willem Dafoe interpreta Jesus de um jeito nunca visto no cinema. O projeto foi adaptado da obra do grego Nikos Kazantzakis e mostra Cristo com traços mais humanos. Na hora da crucificação Jesus Cristo se vê tentado a largar tudo para viver uma vida normal ao lado de Maria Madalena. A produção causou grandes protestos que partiram das alas mais conservadoras da igreja católica.

Depois das discussões geradas pela sua última produção, Scorsese voltou a se debruçar sobre a cidade de Nova York. “Os Bons Companheiros (Goodfellas)” foi adaptado do livro “Wiseguy”, de Nicholas Pileggi, e é considerado um dos melhores filmes de máfia de todos os tempos. Em várias listas de veículos especializados, o filme ficou apenas atrás da série “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola. Joe Pesci recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo desempenho do invocado mafioso Tommy DeVito.

Os próximos projetos do diretor foram produções mais seguras. Em 1963, ele voltou a recorrer a Robert de Niro, agora no thriller “Cabo do Medo (Cape Fear)”, um dos maiores sucessos de bilheteria do diretor. Logo depois, Scorsese adapta mais um livro para os cinemas. Dessa vez, o romance “Época da Inocência”, de Edith Whatan, serviu como base para o roteiro do filme homônimo.

O cineasta tentou repetir o êxito de “Bons Companheiros” com o filme “Cassino (Casino)”, mas o filme não obteve grande repercussão, apesar de contar com de Niro, Joe Pesci e Sharon Stone no elenco. Em 1997, foi a vez de “Kundun” chegar aos cinemas. O filme retratava o exílio do líder espiritual de Dalai Lama.
O submundo de Nova York voltou a ser retratado no fime “Vivendo no Limite (Bringing Out The Dead)”, de 1999. Nicholas Cage interpretou Frank Pierce, um paramédico assombrado por visões com as pessoas que ele não foi capaz de salvar. Pierce trabalha no plantão noturno e se depara todos os dias com as piores surpresas que a cidade pode proporcionar.

(...)

Leia a reportagem completa na Edição #03 da Revista Zás!



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Martin Scorsese

O nova-iorquino descendente de italianos quase se tornou padre antes de iniciar sua carreira no cinema. Hoje, é considerado um dos mais importantes cineastas em atividade.

 
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