Entrevista com a banda AMP

Pernambuco foi nos anos 1990 um dos maiores celeiros do rock no Brasil. Foi a mistura de ritmos regionais com as guitarras elétricas que criou uma nova identidade no som do nordeste. Um grupo de bandas liderado por Chico Science e Nação Zumbi elevaram o rock na região, que, em pouco tempo, se alastrou para o resto do país. No começo do novo milênio, o rock do nordeste passa por uma crise de identidade. Mesmo assim, algumas bandas encaram o desafio de recriar a estética do som local em busca de algo novo. Esse é o caso da AMP, representante do nordeste nesta edição do Rockazine.

Formada por Capivara (guitarra e voz), Djalma (guitarra e voz), Dudu (baixo) e Crika (bateria), a banda reconhece o momento confuso do rock no nordeste. “Sobretudo em Recife, a coisa está bem complicada. O público, em grande parte, procura e se antena em músicas regionais ou nesses maculêlês. Já em Salvador, por exemplo, existe público para shows de Metal. Não dá para analisar o mercado do nordeste como um só. Nós vemos vários mercados e que cada um tem uma receptividade particular para cada banda e estilo”, conta o guitarrista e vocalista Capivara.

Grande parte das bandas independentes conquista notoriedade depois de participar de grandes festivais. Com a AMP, não foi diferente. O grupo conquistou mais fãs depois de tocar no Abril Pro Rock, e reconhece a importância desses eventos para as bandas independentes. “Os grandes festivais são sempre uma ótima oportunidade para mostrar seu trabalho, trocar informação com artistas, produtores e todos envolvidos, sem contar o fato de poder dividir o palco com bandas que curtimos muito”, conta Capivara.

Outro fator que influência e muito para o fortalecimento do mercado underground são os selos alternativos. Eles estão cada vez mais organizados e seu trabalho é visto com seriedade pelos artistas independentes.

A AMP lançou o disco Pharmako Dinâmica pela Monstro Discos, um tipo de som que não é para qualquer um. É rock para quem realmente gosta de rock. Com overdrive no máximo, uma bateria de pedal duplo, e voz capaz de fazer qualquer um vibrar, eles transformam as letras em um som “ensurdecedor”. Não por acaso, uma das melhores faixas do CD leva esse nome. O álbum pode ser avaliado como intenso, no sentido mais amplo da palavra.

O trabalho é resultado da parceria com o produtor musical Iuri Freiberger, famoso por participar de produções de bandas importantes do cenário.

Infelizmente, a banda integra um grupo de artistas que ainda precisa de outros trabalhos, nem sempre relacionados com a música, para sobreviver. “Isso não quer dizer que não somos profissionais da música ou que não levamos a sério, mas sabemos que sobreviver do Rock independente no país é bem complicado”, desabafa Capivara. Mesmo assim, o músico acredita que a música independente está cada vez mais fortalecida no país: “Sobreviver de música no Brasil requer muito empenho e dedicação, mas existem vários mercados e submercados dentro de cada estilo, que geram receitas legais”.

A banda está atenta ao fato de que a internet modificou a relação dos artistas com o público e utiliza diversas redes sociais como o Orkut e o MySpace para interagir com a galera. “A internet é fantástica, pois dá acesso a todos, mas sempre a escolha do que se vai ouvir, ou consumir é individual e ficamos muito felizes com quem vem até nós e escuta nosso som”, diz Capivara.

Se você tem o ouvido preparado para ouvir rock pesado vai curtir (e muito) o som da banda pernambucana.


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Um comentário

  1. Eu vi essa banda! É muito massa!

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