O Endireita

Edson Athayde é um publicitário brasileiro que vive em Portugal, e é conhecido e reconhecido como o Guru em sua área. Como escritor, lançou seu sétimo livro nesse ano, O Endireita. Na publicidade, Edson Athayde é considerado um inovador, e o mesmo pode ser dito na literatura, não em relação a seu estilo, ou os temas que aborda, mas pela forma em que apresentou seu último livro: O Endireita não possui versão impressa, ele foi feito exclusivamente para a internet. De acordo com o autor, em entrevista, a tecnologia permite superar uma série de problemas relacionados à distribuição e venda de um livro, então por que não usá-la? Então basta um clique, e o livro está disponível na íntegra em sua tela, seja na versão em Flash, ou em PDF, livre para a impressão para aqueles que não conseguem superar o fetiche do livro impresso. E a inovação não para por aí: O Endireita também foi o primeiro livro a ser lançado seguindo as novas normas do Acordo Ortográfico, seja esta inovação para o bem ou para o mal.

Independente disso, O Endireita é um livro muito gostoso de ler.  Divido em 13 pequenos contos, Edson Athayde brinca com as palavras, fazendo ocasionalmente o uso de rimas, de modo que o texto flui muito bem. Transitando entre a forma de escrever do português brasileiro e o português de Portugal, nos deparamos às vezes com palavras desconhecidas, mas que fazem todo sentido quando ali colocadas.

Em cada conto, viajamos por uma história diferente: o homem que mentia toda vez que lhe perguntavam “E quem você pensa que é?”, e vivia da mentira até ouvir a maldita pergunta novamente. O garoto feio e sem graça que se apaixona pela mais bela garota numa tarde no circo, a salva das garras de um leão, e depois nunca mais a vê de novo. Ela segue sua vida, se casa, mas nunca mais amou ninguém como ele. O rapaz sem braços nem pernas cujo maior sonho era atravessar a nado o Canal de Mancha. E o próprio endireita, aquele que conserta as costas dos outros, que numa missão especial, endireitou as costas do Presidente no mundo, dando novas esperanças para toda gente, não fosse o Presidente se afogar mais tarde em seus próprios excrementos.

Não espere um final feliz, nem uma moral de história ao fim de cada conto. O que vale é se deixar levar pelas palavras informais, pelas histórias e personagens estranhos, cujas conquistas são efêmeras, cujos amores são inalcançáveis, e cujos destinos são inevitáveis.

Para ler O Endireita, acesse: http://www.oendireita.com/


Veja também



Responda o questionário e ajude a construir São Paulo

Deixe um comentário