
Alan Moore formulou a grande questão em “Watchmen”: quem vigia os vigilantes? Sem nenhum glamour, Garth Ennis (o maluco de Preacher) e Darick Robertson respondem de forma crua e seca: The Boys. Em um mundo onde existem cerca de 200 mil supremos, seres humanos que adquiriram habilidades especiais, podemos imaginar que alguns fazem o bem, e outros o mal, na clássica contraposição herói contra vilão, o bonzinho contra o malvado. Porém, como sempre, a realidade se mostra mais complexa, repleta de áreas cinzentas. Os heróis não aparecem como benfeitores da humanidade, com seu caráter e moral inabaláveis, mas sim como personagens sem escrúpulos, que agem acima da lei, fazendo tudo o que for preciso para melhorar seu marketing pessoal, e vender mais bonecos para a criançada. As mortes de civis inocentes que acontecem em meio aos seus atos heróicos são apenas danos colaterais.
Bom, podemos imaginar o resultado provável desta situação: muitas pessoas ficam muito bravas! Um deles é Hughie Mijão, personagem inspirado na imagem do comediante Simon John Pegg, que ao passear com sua namorada por um parque, vê sua amada sendo esmagada por um brutamonte durante uma luta entre dois supremos. Como qualquer pessoa normal, ele fica sem reação, e faz o que qualquer um faria, entra em depressão. É neste estado de espírito que ele recebe a visita de Billy Carniceiro, um homem que, no passado, coordenou uma equipe que controlava, e às vezes, eliminava supremos que exageravam na dose. O Carniceiro está reunindo novamente sua equipe, e viu em Hughie Mijão um potencial membro.
Além de Hughie e o Carniceiro, os The Boys são formados por Francês, Fêmea e Leite Materno, um personagem mais maníaco que outro. Para mostrar ao mundo que eles estão de volta no jogo, o plano é desestabilizar um novo grupo de heróis chamados de “Tropa Terror”. Este é apenas um pequeno aviso para o verdadeiro alvo, os mundialmente famosos “Sete”. A história é repleta de palavrões, sexo, violência e drogas. Garth Ennis e Darick Robertson criaram um mundo onde os padrões morais estão invertidos, e torcemos pelo fim dos heróis! A arte da HQ combina com o propósito da história, mesclando realismo cruel com tiradas cômicas. Em algumas cenas, parece que estamos assistindo a um filme de Tarantino.
A primeira edição da série se chama “O Nome do jogo”, ou “Tocando um puteiro”, de acordo com os autores, e dá um gostinho inicial do que virá nos próximos capítulos. A edição da Devir é de boa qualidade, e o espírito dos The Boys estão em todos os detalhes, como no aviso de não recomendado para menores de 18 anos, e até na parte que explica os direitos autorais da obra, que ameaça quebrar as pernas daqueles que tentarem copiar parte da obra sem autorização.
Para aqueles cansados de histórias de heróis, e de suas grandes façanhas, The Boys definitivamente é uma leitura obrigatória!
The Boys – O Nome do Jogo
Roteiro: Garth Ennis
Arte: Darick Robertson
Devir Livraria






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Caraca essa graphic novel pareceser bem louca… Garth Ennis e Darick Robertson são geniais…