
Quando se trata de Quentin Tarantino é ame ou odeie. Difícil alguém se encaixar no meio termo. Gostando ou não, é impossível ser indiferente à obra do diretor. Deixando a imparcialidade de lado, o cara é fera.
Quinze anos depois do clássico cult “Pulp Fiction”, Tarantino volta a chamar a atenção com “Bastardos Inglórios”. As marcas características da obra do cineasta estão presentes do início ao fim. Diálogos ácidos, nervos à flor da pele, reviravoltas surpreendentes e ritmo inconstante.
O filme é um remake do homônimo de Enzo Castellari (1978), e se passa durante a ocupação alemã na França. Logo no início, a jovem Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) vê a sua família ser executada pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz). Única sobrevivente do massacre, ela foge para Paris, onde assume nova identidade e passa a cuidar de um cinema.
O tenente norte-americano Aldo Reine (Brad Pitt) reúne soldados judeus para exterminar nazistas. O grupo apelidado de “Os Bastardos” espalha o terror entre os soldados alemães, por suas praticas violentas. Todos os homens que caem nas mãos do grupo têm o couro cabeludo arrancado do crânio.
A atriz alemã Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) une-se ao grupo de Reine em missão para derrubar membros do Terceiro Reich. O que eles nem imaginam é que o destino uniria “Os Bastardos” à jovem Shosanna, que receberá os nazistas em seu cinema na exibição de um filme de Joseph Goebbels, que narra a história de Fredrick Zoller, alemão que lutou sozinho contra 300 soldados para proteger uma cidade. O cinema de Shosanna é escolhido para a exibição porque Fredrick em pessoa havia se encontrado com a moça e se apaixonado. A sessão reuniria alguns dos membros mais importantes do exército nazista, inclusive o líder Adolf Hitler, momento perfeito para que todos executem a insaciável vingança.
Multinacionalidade
Tarantino consegue aliar com maestria personagens reais e momentos históricos à pura fantasia, em ousada versão alternativa dos fatos oficiais. A língua materna de cada personagem é respeitada, de modo a eliminar a sensação falsa de que todo o planeta tem o inglês como idioma oficial. Para cada papel foi selecionado um ator do mesmo país de origem da personagem.
Diane Kruger considera a multinacionalidade do elenco um ponto importante do filme. “Acho ótimo que Quentin tenha a coragem de fazer isso, pois acrescenta autenticidade. Idiomas diferentes têm melodias diferentes e é engraçado ouvir, e ver as pessoas não entendendo umas às outras”, declarou durante coletiva à imprensa.
Brad Pitt encarna o personagem mais bizarro de sua carreira. Com sotaque carregado, o tenente Reine comanda um grupo de soldados em episódios violentos, característica marcante nos filmes de Tarantino, carregados de humor negro. Diálogos sublimes, construídos a partir de metáforas inteligentes, e enquadramentos dinâmicos e multiangulares combinam-se para prender a atenção do espectador.
Algumas cenas impressionam pela tensão. Impossível ser indiferente aos dilemas e obstáculos enfrentados pelas personagens. É de se mexer na cadeira toda vez que o coronel Hans Landa interroga alguém. O mesmo acontece por causa do clima nervoso que paira na taberna, onde “Os Bastardos” se reúnem para acertar detalhes da operação que para aniquilar os lideres nazistas.
Tarantino esbanja talento mais uma vez e sem dúvida vai agradar aos fãs com o novo filme. Todos os elementos (sarcasmo, diálogos fortes, trilha sonora de impacto) que fizeram dele o diretor de sucesso que é, estão presente em “Bastardos Inglórios”. Como é de costume na obra do diretor, reviravoltas conduzem o enredo a um final surpreendente. Imperdível!





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